segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Cuide bem do seu amor,

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=ZAI4AfIsLbs

Ela ligou pra ele e por motivos visivelmente estúpidos disse: Acabou.
Ele começou a chorar, e nada o consolava, ele só sabia falar: “Eu amo essa menina”. E quase que imediatamente já planejava algo para que ela se arrependesse, nem que isso lhe custasse todas as economias ou todo o orgulho que ele tinha.
Foi a segunda vez na minha vida que vi isso acontecer. Na primeira vez, a menina do outro lado da linha, era eu. E assim que eu desligava, ele chorava, e logo maquinava algo pra me mostrar que ele era o amor da minha vida. Foram flores na garagem as 2 da manha, ligações intermináveis com as palavras mais doces que alguém poderia pronunciar, cartas, cestas de café da manha, serenatas, incontáveis buques de flores, ursinhos de pelúcia e todos os tipos de declaração de amor. Eu resistia, mas logo voltava atrás. Ainda não sei se o fazia por amar demais ou por estar acostumada, mas no final, estávamos juntos de novo.
E de repente, passou um filme na minha cabeça em segundos, ao ver aquela cena. E eu me lembrava de como eu era chata, de como eu o maltratava, e de como ele me amava, e como cuidava de mim, e como me aturava.
Meu desejo era poder dizer para ela: “Minha querida, amor assim é só uma vez na vida. Acorda, e se você gosta dele, volta. Mas volta com tudo, ama com cada pedaçinho seu, se declara, se joga, não deixa o tempo passar, dá valor, cuida do que é seu, cuida desse sentimento, cativa.”
Essas palavras foram se repetindo na minha cabeça, e se encaixando nos momentos em que falhei, e que não fiz o que deveria, e simplesmente deixei passar. Deixei a chama em mim se esvair, e nele ainda era um fogaréu, daqueles de época de seca, que não deixa nada pra trás. Minha vontade era acabar com cada foco daquele fogo e mostrar que não dava mais, mas ele continuava confiante e não desistia.
Quando um dia, eu fiz o que se pode fazer de pior com quem te ama. Eu o forcei a desistir, e as lágrimas que no rosto dele escorriam se responsabilizaram por apagar o fogo, não de uma vez, visto que era grande demais para acabar em um ou dois dias, mas com o tempo assim o fizeram. Acabou.
Agora, tento me convencer de que as palavras que eu senti vontade de dizer para ela, são apenas coisas da minha imaginação. E que vai acontecer de novo, basta esperar, o tempo vai se responsabilizar de me dar uma segunda chance para cuidar bem do meu amor, seja ele quem for.

domingo, 10 de outubro de 2010

Nobody Changes

Ir em casamentos sempre me traz esse sentimentalismo. E ontem não foi diferente. Eu me identifiquei, eu queria estar casando ali, com tudo do jeitinho que estava.
Estar com as amigas sempre trazem a tona esses tipos de assuntos de coração e sentimento. A gente se pega quebrando a cabeça, pensando o que ta acontecendo de errado, pensando o que agente faz de errado, se indagando se o problema é o mundo ou somos nós, ou se é só questão de destino.
Eu sempre discordei dessa história de destino, e acreditava piamente que o nosso futuro é a gente quem faz. Mas hoje eu repensei. Não adianta querer mudar o que não se muda. Personalidades são imutáveis. Algumas atitudes podem, por hora, serem escondidas ou disfarçadas. A gente pode fingir que não tá nem ai, que não se importa,  que vive muito bem, e que é auto suficiente. Mas uma hora ou outra, o que realmente se sente aparece e muitas vezes são as nossas atitudes tão pensadas que nos traem, e num momento de deslize mostram o que estava escondido e acabam com tudo que havia sido construído, acabam com todo o castelo que você construiu e mostram que enterrado, la em baixo, existe você, na sua mais pura forma, sem qualquer mascara ou idealização. Você sendo você. E é ai que o bicho pega e você perde quem estava com você pela sua possível personalidade e quem fica são aqueles que conseguem aguentar os seus piores defeitos e esses geralmente não são seus amores, são os amigos.
E enquanto isso tudo acontece, nós meninas mulheres, sentimentais e esperançosas aguardamos aquele que possa aguentar nossos piores defeitos, não por interesse, mas sim por paixão.

 “Sou egoísta, impaciente e um pouco insegura. Cometo erros, sou um pouco fora do controle e às vezes difícil de lidar, mas se você não sabe lidar com o meu pior, então com certeza, você não merece o meu melhor!” Marilyn Monroe

sábado, 9 de outubro de 2010

Essa não é mais uma carta de amor.

Pode ir meu amor. Eu sempre acreditei em você e não vou desacreditar dessa vez. Eu sei que vai pra não voltar mais. Vai ficar tudo bem.
Eu já passei por isso outras vezes. Vão se os anéis ficam os dedos. Vão se os amores ficam as dores.
E a conversa da auto-suficiência vai embora, e volto pra estaca zero, onde as minhas fraquezas estão mais expostas do que nunca, e onde eu vejo que nada é mais verdadeiro do que dizer que fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho.
Eu adoro o seu jeito de ser, e adoro cada palavra e cada beijo e cada abraço, o que eu não suporto é você não acreditar que dessa vez possa ser diferente.
Você desistiu do amor. E eu não vou fazer isso, eu nunca fiz. Não vou negar que eu tentei, tentei muito, mas fracassei. E eu que era um carbono puro no quesito amor, depois de tanta lapidação sou quase um diamante. O que faltou foi a sua coragem, ou talvez vontade de se entregar. E que Deus me livre, de um dia chegar a ser assim, porque sentir e mostrar sentimentos são uma das coisas mais simples e lindas dessa vida.
Sim, o sofrimento quase sempre vem depois, eu sei. Mas aí eu me deito e me lembro que os meus sorrisos foram sinceros, assim como minhas palavras, e minha consciência fica em paz, porque eu sei que eu tentei, e fui feliz tentando,essa não é minha hora de parar, eu poderia tranquilamente continuar. Mas eu não posso tentar te fazer acreditar no amor, se você nao quiser voltar a acreditar. Eu não posso colocar minha intensidade aonde não tem nada.

"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia." José Saramago

sábado, 2 de outubro de 2010

O inteiro que me falta.

Se em você falta metade, em mim falto o inteiro.
É pelo fato de eu não conseguir e não querer ser metade. O que me falta é meu inteiro.
Digo assim porque não me declaro com meias palavras, não gosto com metade de mim. Gosto com o meu inteiro. É sim, um erro, pois dentro de mim nada sobra de mim mesma, e só do outro. E quando ele se vai, não me sinto dividida, me sinto esvaída. Já não sou o que era antes e tenho que me juntar, e me fazer um inteiro, totalmente diferente do que era antes.
E eu não me conformo em ser inteira de eu mesma por muito tempo, e sempre surge essa necessidade de me fazer inteira de alguém, inteira de algo que não é meu.
E digo da boca pra fora que não quero mais ser inteira de ninguem, que quero ser minha inteira, mas ser de um material indestrutível, totalmente maciço, que jamais possa ser mudado.
E depois me lembro que ser inteiro de alguém, é uma das coisas mais lindas. Sentir-se mudando, passando por uma metamorfose completa e total. Sentir-se melhor. Ouvir as pessoas dizendo que tem algo de diferente, e saber exatamente o que é. Não sou mais eu, sou outro.